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28/10/2026

4 Letras: Amor ou Nada

 
No meio da palavra namorada
existe algo especial
um sentimento tão simples
mas de um valor sem igual
 
Existe a palavra amor
que lhe dá todo o sentido
é a razão de um abraço
de um beijo nunca esquecido
 
É saber que o amor não vive
só do encanto inicial
mas de continuar a escolher
a mesma pessoa, afinal
 
É não deixar que os anos
apaguem a vontade de amar
nem que a rotina nos faça
esquecer de namorar
 
No meio da palavra n+amor+ada
existe a palavra amor
mas se lhe retiras o meio

o que te resta?

Nada!

 
***
2026-10-28 – 4 Letras: Amor ou Nada
noname-metamorphosis 


19/10/2026

Antes que seja nada

 



O sol a entrar pela janela
a luz pousada no chão
o café ainda quente
o silêncio dentro da mão
 
Guardo o vento nas árvores
o céu que muda de cor
as palavras que ficam por dizer
os gestos pequenos de amor
 
Há qualquer coisa de novo
naquilo que sempre existiu
uma flor a abrir devagar
um riso que ninguém pediu
 
e eu olho para tudo
como quem olha pela primeira vez
porque até o mais simples dos dias
tem a sua própria vez
 
Não peço muito à vida
nem lhe peço explicação
basta que me deixe estar presente
com os olhos e o coração
 
que eu saiba ver o que passa
sem deixar de reparar
que o milagre de todos os dias
é ter tempo para o encontrar
 
 
***
2026-10-19 – Antes que seja nada
noname-metamorphosis 


16/10/2026

O que fica entre os dias

 

É tudo o que sou
 
pequeno grão, e outro ainda
de dor ou alegria
um pouco de sonho
um pouco de dia
 
Sou feita de instantes
de quedas e abraços
de medos antigos
e de novos passos
 
Às vezes sou força
às vezes sou nada
uma luz pequenina
na noite fechada
 
E sigo assim
sem saber bem quem sou
grão sobre grão
feita de tudo o que dou

 
***
2026-10-16 – O que fica entre os dias
noname-metamorphosis 


14/10/2026

Ode à alegria




A alegria chega devagar
tal como o sol a nascer
traz consigo um novo dia
e vontade de viver
 
Faz sorrir quem está triste
dá mais cor ao nosso olhar
é uma mão que nos ajuda
é um abraço a chegar
 
Está no canto dos pássaros
na brisa leve do mar
no sorriso de uma criança
e na vontade de brincar
 
A alegria é uma chama
que nos aquece o coração
cresce quando é partilhada
com amor e união
 
Mesmo nos dias mais cinzentos
há sempre luz para encontrar
basta olhar à nossa volta
e ter vontade de sonhar
 
Que a alegria viva em nós
hoje e em cada novo dia
e que nunca nos falte
a esperança e a magia

 
***
2026-10-14 – Ode à alegria
noname-metamorphosis 


09/10/2026

Ter asas

 



Amar não é depender
nem deixar de ser quem se é
 
É saber caminhar sozinho
é ter força para partir
e, ainda assim, escolher ficar
 
Não por precisar de alguém
nem por medo de ficar só
mas porque, com alguém
a vida sabe melhor
 
É serem dois inteiros
sem metades por completar
dois caminhos diferentes
que escolhem lado a lado caminhar
 
Amar é ter asas
e não ter medo de voar
 
Porque amar
é ser livre para partir
e, ainda assim, escolher ficar

 
***
2026-10-09 – Ter asas
noname-metamorphosis 

07/10/2026

Onde a música voa

 


É dentro de mim
que toda a música é ave
 
Nasce sem ruído
abre as asas devagar
e procura um lugar
onde o silêncio não doa
 
Há cantos que não sei dizer
mas que o peito conhece
Há notas que nunca aprendi
e, no entanto, me habitam
 
Às vezes, a música parte
Fica apenas o céu
e uma janela aberta
para dentro de mim
 
Mas basta um pequeno som
um sopro, uma lembrança
e ela regressa
leve, ferida, inteira
 
Talvez seja isso cantar
dar asas ao que sentimos
quando as palavras
já não chegam
 
E então compreendo
 
não é a música que vive em mim
 
Sou eu
que, por dentro
a deixo voar


***
2026-10-07 – Onde a música voa
noname-metamorphosis 

02/10/2026

Inteiros

 



Pensar
 
É uma espécie de preconceito
 
Pensar
com a própria cabeça
 
não porque se saiba mais
mas porque se quer saber
 
Acrescente-se Pensar
 
ao que se ouve
ao que se lê
ao que os outros dizem
 
E, depois
pensar outra vez
 
 
Já
 
Amar
 
É uma espécie de raridade
 
Amar
com o coração todo

sem guardar uma parte
para o medo
sem fazer contas
sem medir o que se dá
sem esquecer o que se recebe
 
Valorize-se Amar
com o coração todo
 
Porque há coisas
que só fazem sentido
quando são inteiras
 
Pensar
 
Amar
 
Talvez seja pouco
para uma vida inteira
 
Mas talvez seja o bastante
para não passarmos por ela pela metade
 

***
2026-10-02 – Inteiros
noname-metamorphosis 

28/09/2026

Travessia

 

Por paixão
vamos até ao fim do mundo
 
Vamos sem saber o caminho
sem saber se há volta
sem saber se é preciso haver
 
Vamos porque queremos ir
porque o coração puxa
porque há qualquer coisa em nós
que não sabe ficar quieta
 
Por amor
vem o fim do mundo até nós
 
Não precisamos de ir longe
Basta uma mão
uma voz
um nome dito de outra maneira
 
E de repente
a casa já não é a mesma
a noite já não é a mesma
nós já não somos os mesmos
 
Por paixão
atravessamos o mundo
 
Por amor
o mundo atravessa-nos

 
***
2026-09-28 – Travessia
noname-metamorphosis 


25/09/2026

Onde o tempo abranda

 




A vida é para ser sentida
num segundo
num aroma
num gesto
num silêncio
num olhar
 
É no pequeno instante
que o coração desperta
numa palavra que fica
num abraço que aquece
numa mão que se dá
 
A vida não pede pressa
pede presença
pede olhos atentos
ao que passa devagar
e ao que não volta
 
Um perfume no ar
a luz de uma manhã
um sorriso inesperado
o silêncio entre duas almas
 
É aí que a vida mora
no breve
no simples
no que quase não se vê
mas se sente para sempre

 ***

2026-09-25 – Onde o tempo abranda
noname-metamorphosis 


23/09/2026

Semibreve

 







Fosse o bater catastrófico da minha aorta
compassado pela melodia algo semibreve
do meu cérebro
e eu diria que o que sinto são rugidos
 
Como aqueles
quando os seios ficam arrepiados
e as veias ritmadas
batem dentro de mim
 
És maestro
diz o miolo ao miocárdio
 
e o coração
sem saber a nota
segue-te
 
Há qualquer coisa que se parte
quando te ouço
 
um som que não sei dizer
mas que me atravessa
 
como se o sangue
também soubesse música
 
e cada veia
fosse uma corda
 
e cada batimento
um grito
 
Sol Maior
 
a nota onde o meu peito
se esquece de ter medo
 
e deixa o coração tocar

 

***

2026-09-23 – Semibreve
noname-metamorphosis 

15/09/2026

Onde aprendo a ficar

 




Pertenço ao que sinto
 
ao silêncio que guardo dentro de mim
às palavras que não sei dizer
aos dias em que me encontro
e aos dias em que me perco
 
Pertenço ao medo que escondo
à coragem que às vezes aparece
ao abraço que fica na memória
e à saudade que não desaparece
 
Sou feita do que vivi
do que deixei para trás
do que ainda espero
e do que não consegui esquecer
 
Pertenço às minhas dúvidas
às minhas pequenas certezas
às lágrimas que ninguém viu
e aos sorrisos que dei sem pensar
 
Não quero fugir de mim
nem ser aquilo que esperam
quero apenas escutar o coração
e aceitar aquilo que sou
 
Porque pertenço ao que sinto
e é nesse lugar tão meu
que aos poucos
aprendo a ficar comigo

 

Neste dia, parabéns a mim

***

2026-09-15 – Onde aprendo a ficar
noname-metamorphosis


11/09/2026

A vida a bater por dentro

 

Renova-se em mim o espanto
deste permanente bater de asas cá dentro
como se o dia nascesse
sempre pela primeira vez
 
Há qualquer coisa que acorda
quando tudo parece quieto
uma luz pequena e teimosa
a chamar-me por dentro
 
E eu fico a escutar
sem saber de onde vem
esse movimento secreto
que me leva mais além
 
Talvez seja a esperança
sem nome nem rosto
talvez seja apenas a vida
a renovar o seu gosto
 
E deixo que as asas batam
mesmo quando tenho medo
porque há dentro de mim
um caminho que não sossega

 

***

2026-09-11 – A vida a bater por dentro 
noname-metamorphosis


07/09/2026

Onde a saudade começa




Quando o sol se põe
a magia começa
 
O mar fica dourado
e o céu perde a pressa
 
Há luz sobre as ondas
há fogo no horizonte
 
E eu fico em êxtase
sem saber para onde olhar
 
Se para o céu que arde
se para o mar que sonha
 
Ou para esse instante
 
Em que a luz me leva
para onde a saudade começa

 

 ***

2026-09-07 – Onde a saudade começa
noname-metamorphosis

 

04/09/2026

Sem moldura




 
Deixa-me pintar uma obra prima para ti
com as cores que guardo dentro de mim
vou desenhar o teu sorriso devagar
como quem tem medo de o perder no ar
 
Deixa-me pintar os teus olhos
onde encontro o que não sei dizer
e cada traço que fizer
será um pedaço do meu querer
 
Vou pintar os dias junto de ti
as pequenas coisas que me fazem ficar
o teu abraço quando tudo dói
e a tua mão quando me queres amparar
 
Se me deres uma tela em branco
eu não vou saber por onde começar
mas se disseres que ficas comigo
eu sei exactamente o que pintar
 
Pinto o teu nome no meu coração
pinto os teus sonhos ao lado dos meus
e no fim de toda esta obra
pinto um nós, debaixo do mesmo céu

 

***

 2026-09-04 – Sem moldura
noname-metamorphosis 



02/09/2026

As ruas depois de nós


 

Quando a cidade se esvazia
fica mais humana
 
As ruas deixam de correr
os carros calam-se
e há uma janela acesa
a dizer que alguém ficou
 
É então que reparo
no silêncio das casas
na luz cansada dos prédios
num gato que atravessa a rua
como se a noite fosse sua
 
Sem a pressa de todos
também eu abrando
 
E descubro que a cidade
não é feita só de gente
mas dos pequenos sinais
de quem passou por aqui
 
uma porta entreaberta
um banco molhado,
uma flor esquecida
num parapeito
 
Quando a cidade se esvazia
fico mais perto de mim
 
E talvez seja isso
que o silêncio me ensina
 
que, quando tudo se cala
há sempre qualquer coisa
dentro de nós
a pedir para ser ouvida

 

***

2026-09-02 – As ruas depois de nós
nn(in)metamorphosis 


01/09/2026

Setembro vem devagar





Setembro vem devagar
 
ainda há calor nas pedras
e as tardes demoram-se um pouco
antes de perderem a luz
 
Nas árvores, as folhas vão perdendo o verde
 
as uvas esperam o fim do sol
as maçãs ganham peso
e a luz fica mais baixa sobre os muros
 
Há, em Setembro, qualquer coisa
que amadurece sem fazer ruído
 
Talvez seja por isso
que gosto do mês de Setembro
 
Foi neste mês que cheguei ao mundo
quando o verão começava a afastar-se
e o ano, sem pressa, mudava de cor
 
Desde então, cada Setembro me encontra
um pouco diferente
 
E eu deixo-os chegar, devagar
 
como quem sabe que há coisas
que só o tempo
sabe tornar doces
  

***

2026-09-01 – Setembro vem devagar
nn(in)metamoephosis 


26/08/2026

Olhar e Ver

 



Olhar é rápido
Ver demora mais
 
Olhar é só passar os olhos
Ver é parar um pouco
 
Olhar é notar
Ver é sentir
 
Olhar é estar perto
Ver é descobrir
 
Às vezes olhamos
e nada vemos
Mas quando paramos
vemos o que perdemos
 
Porque ver é mais fundo
é dar tempo ao coração
É olhar devagar
e prestar atenção
  

***

2026-08-26 – Olhar e Ver
nn(in)metamoephosis 


24/08/2026

Antes de sermos

 


Talvez sonhar seja a primeira forma de existir
antes do nome
antes da palavra
antes de sabermos quem somos
 
Talvez sejamos feitos de sonhos
pequenos começos
coisas que ainda não têm forma
mas já vivem dentro de nós
 
Sonhar é abrir uma janela
para um lugar que não vemos
é dar espaço ao impossível
e acreditar que pode nascer
 
Talvez a vida comece assim
num pensamento simples
num desejo sem voz
num sonho que insiste em ficar
 
E quando abrimos os olhos
talvez o mundo esteja à espera
daquilo que ainda não somos
mas podemos vir a ser

 

 ***

2026-08-24 – Antes de sermos
nn(in)metamorphosis 


21/08/2026

Maré por dentro

 



A minha vontade
é enroscar todo o meu corpo
como uma concha
 
dessas que tu encostas ao ouvido
e sentes o barulho do mar
 
Queria caber dentro de mim
ficar quieta
dobrada sobre o meu próprio silêncio
 
a ouvir as ondas
que ainda vivem cá dentro
 
Talvez assim
o mundo ficasse longe
e eu pudesse, por um instante
 
ser só mar
sem pressa
sem nome
 
sem nada para explicar

  

***

nn-metamorphosis
2026-08-21 – Maré por dentro

17/08/2026

Casa Nua




Há quem seja casa nua
sem portas para esconder
sem paredes para fingir
sendo aquilo que é
 
mesmo quando não diz nada
 
Há em cada pessoa dias leves
e outros mais difíceis
há risos que se mostram
e tristezas que se guardam
 
não porque exista vergonha delas
mas porque nem sempre se sabe como as dizer
 
Há quem seja casa nua
com janelas abertas
para tudo o que sente
 
mesmo para aquilo que dói
 
Há uma tristeza em cada pessoa
que às vezes fica em silêncio
senta-se num canto
e espera que o sorriso volte
 
Não é preciso fugir dela
nem a esconder de nós
é possível aprender a viver com ela
a deixá-la existir
 
sem deixar que seja tudo o que somos
 
Porque também somos
os nossos sonhos
os nossos risos
os nossos dias bons
as pessoas que amamos
 
e tudo aquilo que ainda queremos viver
 
Somos casa nua
com tudo à vista
sem medo de ser frágeis
sem vergonha de sentir
 
E mesmo nos dias em que a casa fica quieta
 
continuamos aqui
a cuidar de nós
a abrir as janelas
e a deixar entrar a luz
 porque nem todos os dias precisam de ser luminosos
para continuarmos a habitar-nos

 

***

2026-08-17 – Casa nua
nn(in)metamorphosis